<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11134366</id><updated>2012-02-03T03:02:26.397-08:00</updated><title type='text'>Canhenhos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Manuel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323740475446138279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-0MKChJzyo5g/Tyu-ru5173I/AAAAAAAAAHE/OQAoIEq2oY8/s220/Palestra%2BAcordo%2BOrtografico%2B2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11134366.post-110988617199712269</id><published>2005-03-03T13:29:00.000-08:00</published><updated>2005-03-03T13:42:52.000-08:00</updated><title type='text'>Cesário Verde - Contrariedades</title><content type='html'>&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" width="100%" unselectable="on"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;br /&gt;Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;&lt;br /&gt;Nem posso tolerar os livros mais bizarros.&lt;br /&gt; Incrível! Já fumei três maços de cigarros&lt;br /&gt;Consecutivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:&lt;br /&gt;Tanta depravação nos usos, nos costumes!&lt;br /&gt;Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes&lt;br /&gt;E os ângulos agudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me à secretária. Ali defronte mora&lt;br /&gt;Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;&lt;br /&gt;Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes&lt;br /&gt;E engoma para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!&lt;br /&gt;Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.&lt;br /&gt;Lidando sempre! E deve conta à botica!&lt;br /&gt;Mal ganha para sopas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O obstáculo estimula, torna-nos perversos;&lt;br /&gt;Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,&lt;br /&gt;Por causa dum jornal me rejeitar, há dias,&lt;br /&gt; Um folhetim de versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta&lt;br /&gt;No fundo da gaveta. O que produz o estudo?&lt;br /&gt;Mais uma redacção, das que elogiam tudo,&lt;br /&gt;Me tem fechado a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crítica segundo o método de Taine&lt;br /&gt;Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa&lt;br /&gt;Muitíssimos papéis inéditos. A Imprensa&lt;br /&gt;Vale um desdém solene.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com raras excepções, merece-me o epigrama.&lt;br /&gt;Deu meia-noite; e a paz pela calçada abaixo,&lt;br /&gt;Um sol-e-dó. Chovisca. O populacho&lt;br /&gt;Diverte-se na lama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca dediquei poemas às fortunas,&lt;br /&gt;Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas.&lt;br /&gt;Independente! Só por isso os jornalistas&lt;br /&gt;Me negam as colunas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receiam que o assinante ingénuo os abandone,&lt;br /&gt;Se forem publicar tais coisas, tais autores.&lt;br /&gt;Arte? Não lhes convém, visto que os seus leitores&lt;br /&gt;Deliram por Zaccone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,&lt;br /&gt;Obtém dinheiro, arranja a sua "coterie";&lt;br /&gt;E a mim, não há questão que mais me contrarie&lt;br /&gt;Do que escrever em prosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A adulaçãao repugna aos sentimento finos;&lt;br /&gt;Eu raramente falo aos nossos literatos,&lt;br /&gt;E apuro-me em lançar originais e exactos,&lt;br /&gt;Os meus alexandrinos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!&lt;br /&gt;Ignora que a asfixia a combustão das brasas,&lt;br /&gt;Não foge do estendal que lhe humedece as casas,&lt;br /&gt;E fina-se ao desprezo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.&lt;br /&gt;Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente,&lt;br /&gt;Oiço-a cantarolar uma canção plangente&lt;br /&gt;Duma opereta nova!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Perfeitamente. Vou findar sem azedume.&lt;br /&gt;Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas,&lt;br /&gt;Conseguirei reler essas antigas rimas,&lt;br /&gt;Impressas em volume?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas letras eu conheço um campo de manobras;&lt;br /&gt;Emprega-se a "réclame", a intriga, o anúncio, a "blague",&lt;br /&gt;E esta poesia pede um editor que pague&lt;br /&gt;Todas as minhas obras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?&lt;br /&gt;A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?&lt;br /&gt;Vejo-lhe a luz no quarto. Inda trabalha. É feia...&lt;br /&gt;Que mundo! Coitadinha!&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr hb_tag="1" unselectable="on"&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;div id="hotbar_promo"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11134366-110988617199712269?l=bloguedosapontamentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/feeds/110988617199712269/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11134366&amp;postID=110988617199712269' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default/110988617199712269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default/110988617199712269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/2005/03/cesrio-verde-contrariedades.html' title='Cesário Verde - Contrariedades'/><author><name>Manuel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323740475446138279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-0MKChJzyo5g/Tyu-ru5173I/AAAAAAAAAHE/OQAoIEq2oY8/s220/Palestra%2BAcordo%2BOrtografico%2B2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11134366.post-110983943186650288</id><published>2005-03-03T00:38:00.000-08:00</published><updated>2005-03-03T00:59:21.986-08:00</updated><title type='text'>Folhas Caídas - notas explicativas</title><content type='html'>&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eis alguns apontamentos que a leitura e a análise de &lt;em&gt;Folhas Caídas&lt;/em&gt; suscitaram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Este livro de poemas de Almeida Garrett nasce já numa fase adiantada da sua vida, como o título sugere, a idade outonal, quando o autor se julgava incapaz de ser poeta. Confessa o autor que os poemas se referem a «uma época de vida íntima e recolhida». Temos, portanto, simultaneamente um certa tendência para a confusão entre a Poesia e a Vida. Muitos vêem neste livro o espelho de uma paixão amorosa fulgurante que o ligou à viscondessa da Luz , Rosa de Montufar, remetendo assim um número significativo de poemas para referentes reais (o autor e aquela senhora da alta sociedade). Tal confirma-se ao nível dos textos pela profusão nas referências a luz e rosa. Por tudo isso, o livro Folhas Caídas foi lido pelo público de então como quem devassava um escândalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Nesta colectânea podemos encontrar dois grupos de poemas. Um grupo de poemas versa a temática amorosa, numa feição quase confessional, em que o sujeito poético transporta para a poesia os acontecimentos da sua história de amor, com todos os ingredientes de uma relação intensa de amor /paixão. Há mesmo quem vislumbre aí um certo exibicionismo, tão comum à personalidade marcante do poeta.&lt;br /&gt;Outro grupo de poemas, sobre os quais não tem incidido de igual modo a atenção dos leitores, é constituído por poesias de circunstância mundana («Álbum», «Exilados» , «Adeus, mãe!»... ), que mais não são do que um atenuante do autor para a apresentação dos poemas da circunstância amorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. A disposição dos poemas relaciona-se com o carácter algo teatral de Garrett, que gostava de encenações, de aparato cénico. Assim se justifica que a colectânea abra com um poema/dedicatória mistificadora a um «Ignoto Deo» (a um deus desconhecido), que com a «Advertência» constitui o verdadeiro prólogo e introdução do livro.&lt;br /&gt;No poema «Ignoto Deo» o poeta expressa a apetência por um idealismo de carácter platónico, onde valoriza o ideal de beleza, de verdade, o puro amor, a essência. Aí reforça o sentido do livro que apresenta a essa mulher que será a expressão viva do Ideal: «a confissão sincera /da alma que a ti voou e em ti só espera».&lt;br /&gt;Segue-se, depois, a exposição da sua história de amor. O sujeito poético desenvolve essa história em três fases: sedução, idílio, e saturação, que precede a ruptura. Todavia esta história é escrita de forma anacrónica, pois o poema «Adeus» , embora seja o primeiro dessa história de amor, refere-se já ao fim da paixão amorosa, ou seja a ruptura dos amantes. Esta ruptura, associada à consciência de perda irreparável, reflecte uma situação psicológica dramática - a recusa à intimidade e ao amor, devido ao sentimento de «íntima vileza» . No fundo o sujeito poético expressa a sua incapacidade de amar, como resultado do sentimento de indignidade que se reconhece: «Este que amar-te não sabe / Porque é só terra - e não cabe /Nele uma ideia dos céus...».&lt;br /&gt;Depois o poeta passa para a retrospectiva da sua história de amor. Os poemas que versam a fase da paixão são os seguintes: «Quando eu sonhava» , «Anjo Caído». O poema «Aquela Noite» trata a temática da brevidade do amor à primeira vista («coup de foudre»), que submete num instante a vida ao poder da fatalidade. Aí está bem patente a imagem da ‘mulher fatal’, aquela que provocou todo o desenvolver desta história de amor, que se prevê trágica, como se vê na presença das expressões «negro fado», «loucura», «sedução». No poema «Adeus» foi o homem, com toda a sua vileza que levou à degradação do amor e da mulher. Neste poema dá-se o contrário.&lt;br /&gt;No poema «Anjo Caído», a mulher foi novamente vítima de dor e aviltamento pela ligação a um homem incapaz de verdadeiramente amar, afastando-se já da mulher fatal. Ela é o «anjo caído» que arrasta na sua queda o homem que a perdeu.&lt;br /&gt;Os poemas da fase da plenitude amorosa iniciam-se com «Este Inferno de Amar» e vai até ao poema «Coquette dos prados». Estes poemas reflectem um amor em que há uma entrega total ao presente. Explora-se, aí, o jogo das antíteses inerentes à expressão do amor, imprimindo-lhe uma veemência única na poesia amorosa portuguesa, o que realça o realismo da experiência sentimental. No poema «Este Inferno de Amar» a vivência amorosa está associada à consciência de pecado, o que provoca a dualidade trágica em que se debate o eu poético apaixonado, dividido entre a aspiração a um amor «de alma», expressa nas imagens-símbolo «estrela», «céu», e a atracção da «carne», simbolizada pelo «fogo do inferno» e pelas «trevas».&lt;br /&gt;O poema «Destino» constitui a auto-justificação do apaixonado, no sentido de resolver o dilema moral em que se debate: a sua submissão ao poder do amor como expressão do fatalismo próprio de todas as coisas da Natureza, e a que não pode fugir, porque é indispensável à sua razão de existir. Porém no poema «Adeus» tal é contrariado, pois aí se vincam as ideias da transitoriedade e da frustração próprias de toda a vivência amorosa.&lt;br /&gt;No poema «Gozo e Dor» o poeta infringe todas convenções literárias e canta o amor físico e a posse da mulher amada. E nos poemas seguintes («Rosa sem espinhos», «Rosa pálida») há conotações deliberadas, com o fim de desvendar as suas motivações eróticas, talvez com o intuito de perpetuar pela escrita o que é efémero. Nestes poemas é de salientar as cumplicidades da intimidade amorosa expressas num tom de confidência espontânea, galanteadora, parecendo fútil, mas reforçada com a veemência apaixonada. Seguem-se alguns poemas cujos temas em destaque são o fatalismo da paixão e a ânsia de morrer, assim como a descrição alegórica da amada pela referência à flor ( poema «Rosa e Lírio»). Tratam-se dos poemas que correspondem ao idílio amoroso.&lt;br /&gt;O poema «Rosa e Lírio» é, no entanto, um prenúncio da fase da separação, ainda que indirectamente: expressa-se uma oposição, que supõe uma antítese moral, embora em forma alegórica, - rosa /beleza / indiferença ; lírio / martírio /paixão .&lt;br /&gt;O poema «Os cinco sentidos» constitui o centro das poesias que exprimem o amor-paixão. No poema através da expressão gradual dos sentidos se nota uma aproximação maior até ao contacto e à união total com a mulher amada. O amor daí resultante ultrapassa o prazer dos sentidos, pois vai até à morte «Em ti a minha sorte, / A minha vida em ti; /E quando venha a morte, / Será morrer por ti».&lt;br /&gt;A fase seguinte é a fase da saturação ou se quisermos da desilusão. Corresponde a poemas como «Cascais», «Víbora». No primeiro evocam-se os momentos que se viveram felizes, isolados do mundo identificando-se com tudo o que os rodeava. Mas depois surge o desengano e a separação. E já nada daquela paisagem vista subjectivamente como «sítio encantado» aparece na natureza.&lt;br /&gt;No poema «Estes Sítios», o passado e o presente interpenetram-se na retrospectiva da «história de amor». O amor aí evocado está associado, na perspectiva romântica, ao elogio da vida espontânea, em contacto directo com a natureza. Enquanto isso, o sujeito poético repudia a simulação da vida citadina e social. Nesse poema devem salientar-se as oposições cidade / campo, indivíduo / sociedade, autenticidade / hipocrisia, amor correspondido/ amor frustrado. Este último resultaria da intromissão da mundaneidade (o viver mundano ou social) na intimidade amorosa.&lt;br /&gt;No poema «Não te amo» , o poeta a firma o seu desentendimento com a mulher amada e a sua incapacidade de amar, resultante do seu desdobramento psicológico, expresso no conflito amor / desejo. Neste poema manifesta-se a dicotomia fundamental que caracteriza a poesia de Garrett: amor ( o sentimento envolto em espiritualidade que conduz à salvação e à regeneração do homem) opõe-se ao amor-paixão, que constitui a degradação ou «perdição» do indivíduo.&lt;br /&gt;No poema «Beleza» o poeta distingue entre «beleza» e «formosura», como expressão do dualismo alma / corpo. «Beleza» - remete para o amor espiritual, purificador; «formosura»- é o aspecto físico («formas de encantar»).&lt;br /&gt;No poema «Anjo és» desenvolve-se a antítese anjo/mulher. Aí o poeta sugere a fascinação do eu perante a ambiguidade da mulher, expressa através da dupla interrogação.&lt;br /&gt;No poema «Víbora» exprime-se a revolta contra o poder avassalador da paixão. O amor aí amaldiçoado exprime-se pela antítese vida /morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. O poema «Barca Bela» caracteriza-se pela impessoalidade e ausência de dramatismo, com grande simbolismo e de feição alegórica. Ele condensa através de imagens-símbolo, em ambiente de fatalidade, toda a vivência amorosa do poeta. Este, tal como o herói romântico, o homem fatal ( «o pescador») só fugirá aos riscos terríveis do amor-paixão se recusar a pesca (sedução) da mulher-sereia, que fascina pelo seu encanto, mas que arrasta para a perdição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Linhas temáticas mais dominantes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;·A expressão sincera de um coração dominado pela paixão amorosa.&lt;br /&gt;·A expressão de um amor sentido e vivido e não já uma simulação ou a idealização de um amor, simplesmente intelectualizado e expresso em moldes convencionais, como nos clássicos.&lt;br /&gt;·O tom confessional dos seus poemas de circunstância amorosa, alguns poemas integram-se na linha da «poesia de alcova» que caracteriza alguma poesia romântica. Alguns poemas apresentam uma certa feição dramática. Esta revela-se na constante dialéctica entre o eu poético e um tu - mulher amada. A mulher amada, interlocutora, é invocada quando ausente, ora através das inúmeras apóstrofes que a evocam, ora se sugere a sua presença nas respostas repetidas pelo sujeito poético ( poema «Adeus»).&lt;br /&gt;· O amor-paixão: sentimento repleto de contradições, expressas em antíteses de vida/morte, amar/querer ( amor da alma / amor do corpo), sensualidade-erotismo / idealismo.. Esse amor resulta do encontro contraditório entre uma mulher fatal e o homem ou entre a mulher-anjo que se deixa seduzir pelo homem que apenas a deseja e é incapaz de um verdadeiro amor, que deve ser de alma e não de corpo.&lt;br /&gt;·Um amor que é prazer e dor; que é salvação, quando é de alma ; e é pecado, quando apenas se vive pelos sentidos e pelo desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Aspectos formais mais relevantes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;· Valorização das tradições poéticas portuguesas:&lt;br /&gt;- preferência pela redondilha maior (sete sílabas),&lt;br /&gt;- emprego do refrão e do paralelismo («Barca Bela»),&lt;br /&gt;· Grande variedade métrica: adequação ao ritmo e desenvolvimento do tema ou motivo poético : uso de versos de metro raro, tais como os bissílabos e trissílabo («Rosa e lírio»), o verso de nove sílabas (eneassílabo), de onze sílabas (hendecassílabo); e uso do decassílabo heróico, mas com menor frequência.&lt;br /&gt;· Uso de estrofes variadas: quadra, sextilhas, sétimas, oitavas, quintilhas décimas, alguns poemas apresentam estrofes com um número variado de versos.&lt;br /&gt;· Recurso a rimas cruzadas, por sugestão popular, mas também às rimas emparelhadas e interpoladas. O poeta recorreu também às rimas interiores e encadeadas ( poema «Não te amo»).&lt;br /&gt;· Há nos seus poemas o paralelismo, aliterações,.&lt;br /&gt;· A linguagem é quase sempre simples e directa, aparentemente espontânea e marcada pela emotividade: o que está patente no uso da pontuação (travessão, reticências, exclamações).&lt;br /&gt;· Nalguns poemas há marcas de narratividade e do género dramatização: diálogo eu - tu, narração.&lt;br /&gt;· exploração com originalidade de recursos estilísticos: anástrofe, anáfora, interrogação, imagem, reticência, hipérbole, gradação, comparação, a metáfora e a antítese.&lt;br /&gt;Os sinais de pontuação estão ao serviço da expressividade e do dramatismo, fazendo sublinhar as pausas naturais do discurso emotivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Aspectos românticos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O tratamento do sentimento amoroso: sinceridade, sensualidade e erotismo; feição contraditória (amor/ morte; dor/prazer; amor físico - amor ideal);( poemas «Este Inferno de Amar», «Não te amo»);&lt;br /&gt;- Concepção da mulher : mulher-anjo / mulher-demónio («Anjo és» «Barca Bela»;&lt;br /&gt;- Jogo de oposição: natureza-sociedade; homem natural /homem social («Estes sítios» e « Adeus»);&lt;br /&gt;- A natureza como um estado de alma («Cascais» e «Estes sítios»;&lt;br /&gt;- Valorização da tradição poética portuguesa («Barca Bela»;&lt;br /&gt;- Linguagem mais simples , directa e espontânea;&lt;br /&gt;-Valorização da emoção diante da razão.&lt;br /&gt;- O tom confessional de alguns poemas : «Adeus», «Cascais», etc.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;br /&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11134366-110983943186650288?l=bloguedosapontamentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/feeds/110983943186650288/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11134366&amp;postID=110983943186650288' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default/110983943186650288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default/110983943186650288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/2005/03/folhas-cadas-notas-explicativas.html' title='Folhas Caídas - notas explicativas'/><author><name>Manuel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323740475446138279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-0MKChJzyo5g/Tyu-ru5173I/AAAAAAAAAHE/OQAoIEq2oY8/s220/Palestra%2BAcordo%2BOrtografico%2B2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11134366.post-110959010375601460</id><published>2005-02-28T03:16:00.000-08:00</published><updated>2005-02-28T03:28:23.763-08:00</updated><title type='text'>Almeida Garrett (notas biobliográficas)</title><content type='html'>&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;div align="justify"&gt; ALMEIDA GARRETT   (1799- 1854)&lt;br /&gt; A propósito do 2.º centenário do nascimento de Garrett.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Há 200 anos atrás, na cidade do Porto nasce João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, que havia de tornar-se num dos maiores vultos da nossa literatura contemporânea. Por todo o país, os meios literários, as escolas e as companhias de teatro não esqueceram a efeméride e tributaram a Almeida Garrett, cada um à sua maneira,  a homenagem merecida.&lt;br /&gt;            A notoriedade deste homem ficou assinalada de forma indelével na nossa história, pelas suas amplas qualidades humanas, pelo seu talento de escritor e pela veia crítica com que zurzia nos que considerava responsáveis pela situação precária em que se encontrava o país, quando o Liberalismo o tomou de assalto.&lt;br /&gt;            O contributo de Garrett é considerável. Como político, foi um lutador incansável pela liberdade e pelo progresso, o que lhe valeu dois exílios, na França e na Inglaterra,  exibindo uma enorme coragem ao enfrentar o absolutismo miguelista. Depois da vitória de D. Pedro IV sobre seu irmão (D. Miguel), e estabelecido o constitucionalismo, Garrett ocupou cargos políticos relevantes, como diplomata, cônsul, ministro dos Negócios Estrangeiros e, talvez aquele lhe deu mais prazer, o de reorganizador do teatro nacional, em  que veio a investir o melhor do seu esforço.&lt;br /&gt;            Como escritor, cedo revelou a sua veia artística, aos treze anos tinha já escrito uma tragédia, e a sua  predilecção foi naturalmente para o género dramático. Quem nunca ouviu falar em Frei Luís de Sousa, que muitas companhias de teatro têm levado à cena e que o clássico cinema português passou ao ecrã; esse grande drama romântico  cuja acção,  manifestamente trágica, versa a história do cronista de Frei Bartolomeu dos Mártires, Arcebispo de Braga do século XVI. Nessa peça que constitui uma afirmação de talento e patriotismo, o autor criou caracteres que são ímpares na nossa literatura.  Ninguém, tendo lido o Frei Luís de Sousa, jamais esquecerá as personagens de Telmo Pais, Madalena, Maria e Manuel Coutinho.&lt;br /&gt;            Outra referência fundamental da sua obra é o livro &lt;em&gt;Viagens na Minha Terra&lt;/em&gt;, que o povo consagrou com o nome da personagem mais  marcante da  novela amorosa e trágica que esse livro encerra -  a novela da «Joaninha dos olhos verdes». Mas é muito mais do que uma simples novela este livro. É um passeio por um Portugal autêntico que estava ameaçado de extinção ou a ser delapidado pelas mãos rapaces dos «barões», quando os bens da Igreja eram postos a saque pelos  agiotas convertidos ao Liberalismo. Nesse livro, o amor à paisagem portuguesa, aos monumentos, às tradições multisseculares das nossas vilas e cidades,  às suas lendas, à  valentia dos «ílhavos» e dos «campinos», aos bons vinhos que o úbere da terra produz, aos bons ares, é um acto de fé contínuo.&lt;br /&gt;            São incontornáveis o humor e a graça do seu estilo,  saboríssima a sua ironia. Eis um pequeno exemplo da sua veia satírica, que podia ter ainda algum préstimo nos nossos dias:&lt;br /&gt;            «Não concebem um secretário  de Estado filósofo, um ministro poeta, escritor elegante,  cheio de graça e talento? Não, bem  vejo  que não:  têm a ideia fixa  de que um ministro  de Estado há-de ser  por força algum sensaborão, malcriado e petulante, ou um pedante impostor e papelão, ou um hipócrita, um gebo, um intrigante. Mas isto é nos países adiantados como o nosso, em que já é indiferente para a coisa pública, em que povo nem príncipe lhes não importa já, em que mãos se entregam, a que cabeças se confiam» (&lt;em&gt;Viagen&lt;/em&gt;s, cap.IV).&lt;br /&gt;            Garrett, como prosador,  foi um verdadeiro revolucionador da língua portuguesa. Tornou a construção frásica mais flexível e ajustada à língua oral. Introduziu no texto marcas da oralidade, plebeísmos e uma linguagem mais expressiva. Simultaneamente, lançou mão, com grande  sabedoria, de recursos expressivos, ironias, metáforas, adjectivação múltipla e do uso dos diminutivos  dos quais extraía um valioso efeito estético. Como resultado das suas inovações no estilo, contribuiu para que os seus textos se lessem como se de uma conversa amena se tratassem. O seu trabalho nesse aspecto continua a ser uma fonte de inspiração.&lt;br /&gt;            Como poeta, tal como ele o diz, foi-o na Primavera, no Estio e havia de sê-lo no Inverno. Quer isto dizer, que nasceu poeta e por toda a vida se entregou à poesia com toda a sua inteligência e sensibilidade. O poeta das &lt;em&gt;Flores sem Fruto&lt;/em&gt;, com o poema as «Minhas Asas» e das &lt;em&gt;Folhas Caídas&lt;/em&gt; é um vate inspirado, que se deixa guiar pelo sentimento, que extravasa na poesia os dramas de uma vida, em que os encontros e os desencontros amorosos foram tantos. Mas também é o poeta romântico que conseguiu captar  numa singela composição a essência da sedução humana:&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;«Pescador da barca bela&lt;br /&gt;Onde vais pescar com ela,&lt;br /&gt;Que é tão bela,&lt;br /&gt;Ó pescador?»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;            Garrett foi o nosso primeiro romântico, apesar de nunca se deixar cair nos exageros que outros românticos haviam de exibir, porque ele, como nos diz nas suas &lt;em&gt;Viagens&lt;/em&gt;, havia de morrer no fé de Boileau, ou seja , «Rien n’est beau que le vrai» -  não pode haver beleza sem verdade. No entanto, não se pense que a sua literatura é uma cópia fiel da realidade, nem pensar. Outra inspiração desde cedo lhe entrou na alma. As duas criadas que o ajudaram a crescer (a Brígida e a Rosa) nutriram-lhe o gosto pelas trovas e romances populares. Tal gosto não se esmoreceu e havia de dar azo à publicação do &lt;em&gt;Romanceiro&lt;/em&gt;. Os romances populares estão repletos de mistério e fantasia que o povo cultiva de forma muito própria. Com este gesto Garrett inaugurou o gosto pela recolha da património oral do nosso povo, no que seria seguido por tantos outros homens .&lt;br /&gt;            Pelo que sucintamente se expôs, se vê quanto merecida é a homenagem que aqui prestamos ao grande Garrett. Um homem cheio de grandezas e contradições, que cultivava o humor e a fineza de espírito, e que ao mesmo tempo se  preocupava de forma tão excessiva com a sua aparência física, numa vaidade que ganhou notoriedade. Dizem as más línguas que Garrett  gastava maios tempo a aprumar-se antes de sair à rua de manhã  que a compor um acto do seu &lt;em&gt;Frei Luís de Sousa&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;            A melhor homenagem que lhe podemos fazer é lê-lo e beber na sua escrita o talento, a graça de dizer, a emoção de quem escreve por gosto neste nosso belo idioma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                         Manuel Sousa, in &lt;em&gt;Ecos da Senhora de Porto D'Ave, &lt;/em&gt;1999&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;div id="hotbar_promo" align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11134366-110959010375601460?l=bloguedosapontamentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/feeds/110959010375601460/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11134366&amp;postID=110959010375601460' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default/110959010375601460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default/110959010375601460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/2005/02/almeida-garrett-notas-biobliogrficas.html' title='Almeida Garrett (notas biobliográficas)'/><author><name>Manuel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323740475446138279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-0MKChJzyo5g/Tyu-ru5173I/AAAAAAAAAHE/OQAoIEq2oY8/s220/Palestra%2BAcordo%2BOrtografico%2B2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11134366.post-110958795088612818</id><published>2005-02-28T02:32:00.000-08:00</published><updated>2005-02-28T02:52:30.893-08:00</updated><title type='text'>Frei Luís de Sousa e Folhas Caídas</title><content type='html'>Ficha de trabalho de  PORTUGUÊS A -  11º Ano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;TEXTO&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;MARIA&lt;/strong&gt; -(&lt;em&gt;saindo pela porta da esquerda e trazendo pela mão a Telmo que parece vir de pouca vontade&lt;/em&gt;) Vinde, não façais bulha, que minha mãe ainda dorme. Aqui, nesta casa é que quero conversar. E não teimes,Telmo, que fiz tenção, e acabou-se! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;TELMO&lt;/strong&gt; . Menina!... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MARIA. &lt;/strong&gt;«Menina e moça me levaram de casa de meu pai» - é o princípio daquele livro tão bonito que minha mãe diz que não entende, entendo-o eu. Mas aqui não há menina nem moça; e vós, senhor Telmo Pais, meu fiel escudeiro, «faredes o que mandado vos é». E não me repliques, que então altercamos, faz-se bulha, e acorda minha mãe, que é o que eu não quero, Coitada! Há oito dias que aqui estamos nesta casa, e é a primeira noite que dorme com sossego. Aquele palácio a arder, aquele povo a gritar, o rebate dos sinos, aquela cena toda... oh! tão grandiosa e sublime, que a mim me encheu de maravilha, que foi um espectáculo como nunca vi outro de igual majestade!... À minha pobre mãe aterrou-a, não se lhe tira dos olhos; vai a fechá-los para dormir e diz que vê aquelas chamas enoveladas em fumo a rodear-lhe a casa, a crescer para o ar e a devorar tudo com fúria infernal... o retrato de meu pai, aquele do quarto de lavor, tão seu favorito, em que ele estava tão gentil homem, vestido de cavaleiro de Malta com a sua cruz branca no peito, aquele retrato não se pode consolar de que lho não salvassem, que se queimasse ali. Vês tu? Ela, que não cria em agouros, que sempre me estava a repreender pelas minhas cismas, agora não lhe sai da cabeça que a perda do retrato é prognóstico fatal de outra perda maior, que está perto, de alguma desgraça inesperada, mas certa, que a tem de separar de meu pai. E eu agora é que faço de forte e assisada, que zombo de agouros e de sinas... para a animar, coitada!... que aqui entre nós, Teime, nunca tive tanta fé neles. Creio, oh, se creio! que são avisos que Deus nos manda para nos preparar. E há... oh! há grande desgraça a cair sobre meu pai... decerto! e sobre minha mãe também, que é o mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;TELMO&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;disfarçando o terror de que está tomado&lt;/em&gt;) Não digais isso... Deus há-de fazê-lo por melhor, que lho merecem ambos (cobrando ânimo e exaltando-se). Vosso pai, D. Maria, é um português às direitas. Eu sempre o tive em boa conta; mas agora, depois que lhe vi fazer aquela acção, que o vi, com aquela alma de português velho, deitar as mãos às tochas e lançar ele mesmo o fogo à sua própria casa; queimar e destruir numa hora tanto de seu haver, tanta coisa de seu gosto, para dar um exemplo de liberdade, uma lição tremenda a estes nossos tira- nos... Oh, minha querida filha, aquilo é um homem! A minha vida, que ele queira, é sua. E a minha pena, toda a minha pena é que o não conheci, que o não estimei sempre no que ele valia.&lt;br /&gt;                                                             Almeida Garrett, &lt;em&gt;Frei Luís de Sousa (&lt;/em&gt;excerto&lt;em&gt;).&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;1. &lt;/em&gt;Integre o excerto na estrutura da obra.     &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;2. Explicite o sentido da citação que Maria faz no início desta cena. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;2. Comente a importância que este extracto assume para o crescendo da atmosfera trágica.&lt;br /&gt;3. Caracterize psicologicamente Maria.&lt;br /&gt;4. Apesar de ausente, Madalena está sempre presente no espírito das outras personagens.&lt;br /&gt;4.1. Indique as razões da sua presença.&lt;br /&gt;4.2. Caracterize a personagem.&lt;br /&gt;5. Refira a função da personagem Telmo ao longo da obra e neste excerto.&lt;br /&gt;6. Identifique os principais recursos estilísticos na principal fala de Maria.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;7. Refira os argumentos do autor para classificar este texto como «uma tragédia pela sua índole».&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;II&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;1. Atenta no excerto do poema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 Este inferno de amar – como eu amo!&lt;br /&gt;                                 Quem mo pôs aqui n’alma...quem foi?&lt;br /&gt;                                 Esta chama que alenta e consome,&lt;br /&gt;                                 Que é vida – e que a vida destrói –&lt;br /&gt;                                Como é que se veio a atear, &lt;br /&gt;                                  Quando – ai quando  se há-de ela apagar?&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;                                              Garrett, &lt;em&gt;Folhas Caídas&lt;/em&gt; (extracto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.1.  Faz um breve comentário à estrofe, considerando a temática dominante, e as características da estética da lírica garrettiana, particularmente as oposições e a pontuação (150 palavras).&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11134366-110958795088612818?l=bloguedosapontamentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/feeds/110958795088612818/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11134366&amp;postID=110958795088612818' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default/110958795088612818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default/110958795088612818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/2005/02/frei-lus-de-sousa-e-folhas-cadas.html' title='Frei Luís de Sousa e Folhas Caídas'/><author><name>Manuel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323740475446138279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-0MKChJzyo5g/Tyu-ru5173I/AAAAAAAAAHE/OQAoIEq2oY8/s220/Palestra%2BAcordo%2BOrtografico%2B2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11134366.post-110958292703113786</id><published>2005-02-28T01:13:00.000-08:00</published><updated>2005-02-28T01:28:47.036-08:00</updated><title type='text'>Cesário Verde (1855-1886)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Com o poeta Cesário Verde a literatura e a poesia chegam definitivamente às camadas mais humildes da população portuguesa, já que Cesário é filho de um pequeno comerciante de ferragens,  pertencendo a um estrato da população que até aí andava mais ou menos arredado da arte literária. O &lt;em&gt;Livro de Cesário Verde&lt;/em&gt; é essa obra de homenagem a um Portugal ainda literariamente desconhecido e esquecido.&lt;br /&gt;Estamos diante de uma situação em que se opera a democratização da arte, não só nos seus agentes e autores mas também nos temas abordados, nas preocupações veiculadas e nas referências concretas da sua cenografia (espaços e figurantes, os tópicos e lugares comuns da vida burguesa e proletária).&lt;br /&gt;A poesia de Cesário enquadra-se como nenhuma outra no espaço palmilhado pelo poeta no seu rotineiro dia a dia, de casa para a loja, na baixa lisboeta. O poeta apresenta-se como um andarilho que calcorreia os espaços urbanos de uma Lisboa a despertar para uma revolução industrial tardia e desorganizada, e que vai captando, com uma observação minuciosa e sonhadora (transformadora), os movimentos, as gentes, os objectos, as luzes, os cheiros ; em suma, todos os ingredientes de um quadro rico pela variedade e pela natureza humana que o enche. O seu estilo de abordagem aos   motivos poéticos é marcado pela feição deambulatória, pelo que é natural o uso de verbos como os de «passar», «errar», «entrar», «sair», «seguir», «percorrer» e tantos outros que se referem ao acto contínuo do poeta em  trânsito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As varinas, os calceteiros, as pequenas actrizes, a engomadeira tísica, as vendedoras de hortaliças, as regateiras, as carvoeiras, os estivadores, a cidade portuária , de trabalho e de  frenesi, tudo nos é apresentado em tons modernistas numa poesia tão marcadamente plástica e pictórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão de Cesário tem o talismã de operar a transmutação da imagem. Todos os objectos e seres se sujeitam a esse exercício  da sua imaginação, marcada pelos tons saudosos dos ambientes abertos e saudáveis do campo. Os dissabores da modernidade, com cheiro a combustíveis queimados e a águas salobras, os ambientes  pouco salubres de uma cidade que cresce demasiado em suas estruturas arcaicas, a problemática de um operariado em convulsão e dominado por fortes desequilíbrios sociais, deixando transparecer uma raiva surda e sem expressão exterior, ao lado de uma pequena burguesia que oscila entre a sua dedicação mercantilista e o esvoaçar em torno de outros grupos economicamente mais fortes, como é o caso da actrizita das &lt;em&gt;Cristalizações&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua poesia destacam-se as seguintes linhas temáticas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a) A realidade objectiva e quotidiana da cidade&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;  A cidade cria no poeta uma dupla reacção:  de claustrofobia e enjoo, pelo seu ambiente pouco salubre, e de fascínio pelas grandes metrópoles da Europa e do Mundo. É todo o fervilhar da cidade, no que tem de vivo e de agitado, de nobre e vil, de conforto e de mal-estar, no trabalho e na calma, nos dias de chuva e nos empoeirados dias de calor, nos objectos e espaços e nas suas gentes, é de tudo isto que a poesia de Cesário nos fala, mas não desinteressada e apaticamente, como seria próprio de um realista ou de um naturalista. Cesário, pelo contrário, mostra-se nervoso, entediado,  com ânsias de poder fugir dali, compadecido daqueles que vegetam num ambiente tão hostil. O desejo de fuga torna-se de tal novo evidente que a própria poesia é pretexto para  essa fuga, quando o cesto de hortaliça pousado no átrio do hotel lhe lembra a imagem rústica de uma horta saloia. Poemas mais característicos desta temática são:  &lt;em&gt;O Sentimento de um Ocidental&lt;/em&gt; , &lt;em&gt;Cristalizações&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Num Bairro Moderno&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;b) A realidade da vida do campo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O fascínio pelo campo  inicia-se logo que o tédio e a angústia da cidade se apodera do poeta. O campo proporciona-lhe um ar mais limpo, um ambiente mais  acolhedor que lhe lembra a realidade familiar e os tempos vividos na sua quinta de Linda-a-Pastora, com a exuberância e a suculência dos frutos . É nesse reino que a sua alma se dilata e esquece do seu caso clínico ( a tuberculose). Em &lt;em&gt;De Verão&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Provincianas&lt;/em&gt; é essa paisagem bucólica e campestre que o anima. É aí que ele lastima a sorte daqueles que vivem enclausurados nas gavetas de uma cidade abafada e malcheirosa; o que também está sugerido no longo poema &lt;em&gt;Nós&lt;/em&gt;. Apenas um senão neste quadro verdadeiramente idílico, é a situação dos trabalhadores braçais vilmente explorados pelos lavradores, que os escolhem e esgotam,  como se de manadas de gado se tratassem.&lt;br /&gt;Associado a esta temática podemos considerar o &lt;em&gt;mito de Anteu&lt;/em&gt;. Quando o poeta está a fraquejar, sucumbindo face à estagnação e à doença, encontra forças renovadas  na terra criadora. É no campo que estão as energias capazes para o libertarem do ambiente hostil e insalubre da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;c) Cesário preocupa-se com a sorte e a dignidade dos humildes.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O século XIX é o século do despertar da consciência dos que trabalham, dos assalariados. Cesário  terá tido o mérito de ter esboçado sobre os que mourejam na cidade um olhar solidário e compreensivo. Não ficou insensível à dor daqueles que a seu lado , na rua, nos afazeres mais diversos, se arrastavam e aos seus problemas  numa peregrinação custosa e sofrida. A atenção aumenta em relação aos que pareciam mais castigados pela sorte; o cansaço, a exploração patronal, a miséria mais sórdida, os vícios que os desgraçam, a pobreza mais lesiva são captados com um traço vigoroso,  revelando um poeta  possuído por um espírito de profunda solidariedade. No poema Contrariedades , ao referir-se à pobre e «tísica» engomadeira, o poeta expressa toda a sua humana compaixão por aqueles a quem a sociedade não dá mais do que «chá e pão». O mesmo se observa em  Cristalizações e  em  Sentimento de um Ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) &lt;strong&gt;Linguagem e estilo&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto à linguagem e ao estilo, Cesário , usando do rigor formal dos parnasianos, logrou dar-nos uma expressão poética de uma riqueza inquestionável: é o ritmo dos seus versos, a expressividade do vocabulário (adjectivos e advérbios de modo), a criatividade das sua imagens (comparações, metáforas), é a minúcia do traço geometricamente bem desenhado - «E, apuro-me  em lançar originais e exactos, // os meus alexandrinos» (&lt;em&gt;Contrariedades&lt;/em&gt;) - , da sugestividade dos vocábulos, em hipálages, metonímias, gradações, jogos de significações ( conotação, polissemia,..).&lt;br /&gt; Na esteira de Eça de Queirós, Cesário deu à língua portuguesa uma capacidade de deslumbramento que a modernidade até então não tinha conhecido.&lt;br /&gt;Com Cesário é já o impressionismo, com toda a força de sugestão da cor, da luz e dos traços ora difusos ora nítidos, que domina. Veja-se o poema &lt;em&gt;De Tarde&lt;/em&gt;. Aí  as técnicas da pintura francesa parecem inundar por completo a poesia, dando-lhe beleza e expressividade, afastando-a do tom sentimentalista e piegas dos românticos e aproximando-a do conceito autêntico da arte pela arte.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11134366-110958292703113786?l=bloguedosapontamentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/feeds/110958292703113786/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11134366&amp;postID=110958292703113786' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default/110958292703113786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default/110958292703113786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/2005/02/cesrio-verde-1855-1886.html' title='Cesário Verde (1855-1886)'/><author><name>Manuel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323740475446138279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-0MKChJzyo5g/Tyu-ru5173I/AAAAAAAAAHE/OQAoIEq2oY8/s220/Palestra%2BAcordo%2BOrtografico%2B2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11134366.post-110958191149255906</id><published>2005-02-28T01:09:00.000-08:00</published><updated>2005-02-28T04:11:17.346-08:00</updated><title type='text'>Materiais de Cesário Verde</title><content type='html'>&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" width="100%" unselectable="on"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;Essencial a reter sobre Cesário Verde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;·   Cesário Verde interessa-se pelo real, procurando descrever com objectividade os objectos, pintá-los, despertar nos outros ideias e sensações.&lt;br /&gt;·   Cesário é o poeta-pintor que capta as impressões da realidade. Próximo do realismo e do naturalismo, presta atenção aos pormenores mínimos que servem para transmitir as percepções sensoriais.&lt;br /&gt;·   Propõe uma interpretação da cidade de Lisboa, por onde deambula; descreve-a, absorve-lhe a melancolia e a monotonia; projecta nela imagens da mulher formosa, fria e altiva.&lt;br /&gt;·    Do campo, canta a vida rústica, de canseiras, a sua vitalidade e saúde.&lt;br /&gt;·   Poeta do quotidiano, tenta visionar situações vividas no dia-a-dia, revelando uma atenção permanente ao que o rodeia.&lt;br /&gt;·   Impressionista, procura surpreender o momento em que os objectos "ganham a sua inteira individualidade".&lt;br /&gt;·   Cesário consegue traduzir uma realidade multifacetada, através de uma grande plasticidade estética.&lt;br /&gt;·   O contraste cidade/campo é um dos temas fundamentais da poesia de Cesário e revela-nos o seu amor pelo rústico e natural, que celebra, por oposição a um certo repúdio da perversidade e dos pseudo-valores urbanos e industriais, a que, no entanto, adere.&lt;br /&gt;·   A oposição cidade/campo conduz simbolicamente à oposição morte/vida. É a morte que cria em Cesário uma repulsa à cidade por onde gostava de deambular, mas que acaba por aprisioná-lo.&lt;br /&gt;·   O tempo é um perpétuo fluir e a esperança só é possível para as novas gerações.&lt;br /&gt;·   A cidade surge associada à mulher fatal e à morte, enquanto o campo se une à imagem da mulher angélica e da vida. Há uma sexualização da cidade e do campo que incorpora as alegorias da morte e da vida.&lt;br /&gt;·    Cesário procura pintar 'quadros por letras, por sinais", criando uma pintura literária e rítmica de temas comuns e realidades comezinhas.&lt;br /&gt;·   Sensível ao estimulo visual, Cesário procura reter diversas impressões visuais e outras para sobrepor imagens que acabem por traduzir e reiterar a visão do que o rodeia e traduzir a sua inspiração pessoal.&lt;br /&gt;·   A obra de Cesário Verde caracteriza-se, também, pela técnica impressionista, ao acumular pormenores das sensações captadas e pelo recurso às sinestesias, que lhe permitem transmitir sugestões e impressões da realidade.&lt;br /&gt;·   Em Cesário Verde, o campo, ou melhor, a terra, apresenta-se salutar e fértil. Dentro desta concepção de uma terra que se revitaliza, podemos encontrar o mito de Anteu, ou seja, no contacto com o campo, o sujeito poético parece reanimar-se, sentindo forças, energias, saúde.&lt;br /&gt;·   O Parnasianismo tem como principais características:&lt;br /&gt;-         a reacção contra o romantismo;&lt;br /&gt;-         a defesa da objectividade temática;&lt;br /&gt;-         a obsessão pela perfeição formal;&lt;br /&gt;-         o retorno ao racionalismo e às formas poéticas clássicas; a busca da impessoalidade e da impassibilidade; a arte pela arte.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr hb_tag="1" unselectable="on"&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;div id="hotbar_promo"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;blockquote id="45a4dfa0"&gt; &lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11134366-110958191149255906?l=bloguedosapontamentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/feeds/110958191149255906/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11134366&amp;postID=110958191149255906' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default/110958191149255906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11134366/posts/default/110958191149255906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguedosapontamentos.blogspot.com/2005/02/materiais-de-cesrio-verde.html' title='Materiais de Cesário Verde'/><author><name>Manuel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09323740475446138279</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-0MKChJzyo5g/Tyu-ru5173I/AAAAAAAAAHE/OQAoIEq2oY8/s220/Palestra%2BAcordo%2BOrtografico%2B2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
